Estrutura de perfis SAP no Fiori: catálogo, espaço e atividade são três permissões diferentes
O chamado chega sempre com a mesma frase: “não tenho acesso”. E aí três times olham o mesmo usuário, cada um pela sua janela, e os três respondem a mesma coisa: do meu lado está certo.
O time de autorização confere e o papel está atribuído. O time de Fiori confere e o app está no catálogo. O funcional confere e a permissão existe. Ninguém está mentindo — eles estão olhando três permissões diferentes, e o usuário precisa das três ao mesmo tempo.
As quatro camadas, e a pergunta que cada uma responde
Num ambiente com Fiori, um perfil não é uma coisa — são quatro, empilhadas. Cada uma responde uma pergunta distinta, e falhar em qualquer uma produz o mesmo sintoma na tela.
O catálogo responde: este app existe e sabe para onde ir? É o inventário. Ele guarda o bloco (o tile que a pessoa vê) e o mapeamento de destino — a instrução que diz qual aplicação abrir quando o bloco é clicado.
A página e o espaço respondem: este app aparece na tela dele? É a camada visual. A página organiza os blocos em seções; o espaço é a aba do launchpad que leva aquela página até o papel. Nada aqui concede permissão — é vitrine.
A atividade responde: ele pode fazer o que o app faz? É o campo de autorização por trás do objeto — criar, alterar, exibir, eliminar. Aqui, sim, é permissão de verdade, e é o único lugar onde ela mora.
A composta responde: quem é essa pessoa na empresa? É o cargo. É o único objeto que se atribui ao usuário, e ele não contém nada por si — ele agrega.
O sintoma engana porque as quatro falham igual. Sem catálogo, o app não abre. Sem espaço, ele não aparece. Sem atividade, ele abre e dá erro de autorização. Sem a composta, nada disso chega ao usuário. Da cadeira dele, os quatro casos são “não tenho acesso”.

Como estruturamos, na prática
O desenho abaixo é o de uma seguradora de médio porte, com 78 papéis simples e 56 espaços. Ele não é o único possível, mas resolve o problema que quase todo desenho de perfil tem: saber, olhando o nome, onde procurar quando algo falha.
Só a composta é atribuída ao usuário. Ela representa o cargo — módulo, área e função. Dentro dela vão exatamente dois papéis: o simples homônimo, que carrega tudo o que é daquele cargo, e um papel base, técnico, que todo usuário de launchpad precisa e que ninguém deveria duplicar.
Tudo mora no papel simples. Catálogo, página, espaço e dados de autorização — os quatro no mesmo objeto. É a decisão mais importante do desenho, porque cria um lugar único para procurar. Quando alguém diz que o perfil está errado, não existe dúvida sobre onde olhar.
A composta agrega, não contém. Ela não guarda conteúdo próprio: reconstrói o menu a partir dos papéis que contém. Isso tem uma consequência prática que custa horas a quem não sabe — mexer no simples não chega ao usuário até a composta ser reagregada. O conteúdo está certo, o teste falha, e o time procura o erro no lugar errado.
O nome carrega a convenção. Papel e conteúdo usam o mesmo identificador, mudando só o separador: o papel usa dois-pontos, e a página, o espaço e o catálogo usam sublinhado. Parece detalhe cosmético. Não é: é o que permite achar o catálogo de um papel sem consultar ninguém, e foi o que tornou possível auditar as 78 estruturas por consulta em vez de tela a tela.
Por que o tile aparece e não abre
Esse é o defeito mais comum quando os catálogos foram montados por cópia manual, e ele merece nome próprio porque não se parece com o que é.
Um bloco no catálogo tem duas partes: o tile, que é o quadradinho na tela, e o mapeamento de destino, que é a instrução de para onde navegar. Copiar um catálogo pela interface traz o tile e não traz o mapeamento. O resultado é um launchpad de aparência perfeita onde clicar não faz nada.
Num dos casos, um catálogo tinha 96 blocos e zero mapeamentos. E o defeito oposto também existia: catálogos com mais de 2.600 mapeamentos e 30 blocos, porque alguém copiou um catálogo padrão inteiro para dentro do papel. Nos dois casos o sintoma na tela é confuso; a causa é a mesma decisão de montagem.
Arrumar isso à mão não é viável — foram mais de 500 catálogos, com cerca de 860 mapeamentos recriados e 15.357 removidos na limpeza. Em volume assim, o trabalho não é clicar melhor; é comparar a intenção de cada bloco com a de cada mapeamento e agir pelo que a comparação diz.
O que dá errado, com nome
Tratar catálogo como autorização. Tirar o app do catálogo não impede ninguém de nada — a pessoa continua chegando pela transação clássica se a atividade permitir. Catálogo esconde; atividade proíbe. Confundir os dois produz a sensação de segurança sem a segurança.
Dar a permissão sem dar o caminho. O inverso é igualmente comum e mais silencioso: o usuário tem tudo o que precisa e não encontra a tela. Ele não abre chamado dizendo “meu catálogo está incompleto” — ele diz que o sistema não funciona, e alguém vai conferir autorização por horas.
Confiar no nome do papel como fonte de verdade. Em bases com alguns anos, o nome é histórico. Encontramos papéis cujo nome descrevia um cargo e cujo conteúdo era outro — herança de um pacote padrão instalado anos antes. A fonte confiável é o mapa cargo → papel mantido pela empresa, não o texto do objeto.
Atribuir o mesmo espaço duas vezes. Acontece quando duas pessoas corrigem em paralelo, e o efeito é uma aba repetida na tela do usuário. É trivial de resolver e quase impossível de perceber sem uma verificação que conte ocorrências.
Corrigir no lugar errado. Editar a composta procurando conteúdo que está no simples é o erro que mais consome tempo, porque o time faz a alteração certa no objeto errado e conclui que o sistema está com defeito.
O limite honesto
Nenhum desenho de perfil resolve uma organização que não decidiu quem faz o quê. Se duas áreas discordam sobre quem aprova uma requisição, isso não é problema de autorização — é uma decisão de negócio que vira, no sistema, um papel que ninguém consegue fechar. Estruturar perfis expõe essa indefinição; não a resolve.
Também é honesto dizer que convenção de nome vale mais do que ferramenta. A maior parte do ganho aqui não veio de automação: veio de decidir que papel e conteúdo compartilham o identificador, e que só o papel simples carrega conteúdo. Depois disso, a automação ficou possível — antes, ela só teria acelerado a bagunça.
E há um custo de manutenção que não some: cada app novo precisa entrar no catálogo certo, com o mapeamento certo, e aparecer na página certa. Sem alguém responsável por isso, a estrutura volta a divergir em poucos meses — mais devagar, pelo mesmo motivo de antes.
Se o ponto de partida é entender o que existe hoje antes de redesenhar, comece pelo diagnóstico de TI. Se a preocupação é o controle de acesso como um todo, e não só o launchpad, veja segurança gerenciada. E se o ambiente já está em operação e o problema é sustentar a estrutura no dia a dia, o caminho é AMS para SAP.